PARASHÁ MISHPATIM (Justiça, Ordenança)

Beit HaDerekh

       

Ex. 21:1-24:18,
Jr 34:8-22, 33:25-26,
Mc 1:1-2:28       

Uma das frases mais famosas da Torá aparece na Parashát desta semana. Tem sido frequentemente usada para caracterizar uma fé como um todo. É composta de duas palavras : naassê venishmá , literalmente, “Faremos e ouviremos” (Ex. 24: 7). O que significa e por que isso tem importância?

ז  וַיִּקַּח סֵפֶר הַבְּרִית, וַיִּקְרָא בְּאָזְנֵי הָעָם; וַיֹּאמְרוּ, כֹּל אֲשֶׁר-דִּבֶּר יְהוָה נַעֲשֶׂה וְנִשְׁמָע. 7 And he took the book of the covenant, and read in the hearing of the people; and they said: ‘All that the LORD hath spoken will we do, and obey.’

 naassê venishmá 

Há duas interpretações famosas. A primeira aparece no Talmud: Quando disse a Moisés: “Tudo o que D’us pede de nós, vamos fazer – dizendo isso antes de ouvir qualquer um dos mandamentos . 

Então, eles estavam prontos ​​para obedecerem a D’us antes de saberem o que teriam que obedecer.

Esta posição é aprovada por Rashi em seus comentários. 

Ramban discorda. Para ele, as palavras naassê venishmá não significam “nós faremos e ouviremos ” mas simplesmente,“ nós faremos e obedeceremos ”.

A partir disto eles concluem que deste modo podemos compreender a Torá ao exercita-la, ou seja, primeiro vem a ação. Só depois vem a compreensão.Este é um ponto substancial. 

A mente ocidental tende a colocar as coisas na ordem inversa. 

Procuramos entender primeiro o que está sendo oferecido antes de fazer qualquer compromisso.

Isso é bom quando se trata da assinatura de um contrato, mas não serve para fazer um compromisso profundo diante de D’us. 

A única maneira de entender a liderança é liderar. A única maneira de entender o casamento é se casar. A única maneira de entender um plano de carreira profissional é experimente-lo por um período. 

“Aqueles que ficam em cima do muro ”relutantes em tomar uma decisão até que todos os fatos estejam sob seu controle, concluirão, certamente que a vida passou por eles. 

A única maneira de entender como a vida é, é correndo o risco de viver. Então: naassê venishmá , “Nós faremos e, no final, através da prática contínua, vamos entender ”.

É assim que devemos agir diante dos mandamentos de D’us e não obedecê-los somente se entendermos. A fé verdadeira é demonstrada muito mais ao obedecer sem entender, pois isto significa que confiamos.

Os israelitas ratificaram o Pacto três vezes: uma vez antes de ouvir os mandamentos e duas vezes depois. 

Todo o povo respondeu conjuntamente, “Faremos [ naasê ] tudo o que o Senhor disser”

Êxodo 19:8 Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o Senhor tem falado, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo.

Quando Moisés foi e contou ao povo todas as palavras e leis do Senhor, eles responderam com uma só voz : “Tudo o que o Senhor falou nós faremos [ naasê ]”

Êxodo 24:3 Veio, pois, Moisés, e contou ao povo todas as palavras do Senhor, e todos os estatutos; então o povo respondeu a uma voz, e disse: Todas as palavras, que o Senhor tem falado, faremos.

Então ele pegou o livro do Pacto e o leu para o povo. Eles responderam: “Nós vamos fazer e ouvir [ naasê venishmá ] tudo o que o senhor disser ”.

Êxodo 24:7 E tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo, e eles disseram: Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos.

As duas primeiras respostas, se referem apenas à ação (naassê). O povo responde “em conjunto”. Eles fazem isso em uma só voz. 

Na terceira, que se refere não apenas a fazer, mas também a ouvir  não existe unanimidade. Eles não respondem a uma só voz.

Essa é uma diferença importante entre naassê e nishmá . Nós fazemos o ato divino “juntos”. Nós respondemos  “a uma só voz”. 

Mas ouvimos a presença de D’us de muitas maneiras, porque embora D’us seja um só, somos todos diferentes, e cada um de nós O encontra em nosso próprio caminho.

Cada um de nós esta em um degrau na compreensão do que D’us diz.

Afinal D’us está perto de todos os que o invocam em verdade. Há muitas maneiras de ouvir a voz de D’us e encontrar a presença Dele.

Apesar de nos sentirmos tão pequenos, e ver quão grande é o universo que habitamos, devemos nos lembrar que somos considerados monumentos para Ele.

Sabendo que D’us estabeleceu a Sua imagem e semelhança sobre nós e nos colocou aqui, neste lugar, neste momento, com estas dádivas, nessas circunstâncias, com uma tarefa para executarmos, se formos capazes de discerni-la. 

Nossa Parashát nos leva a uma transição desconcertante. Até agora, em Êxodo, fomos levados pela narrativa: a escravização dos israelitas, sua esperança pela liberdade, as pragas, a obstinação de faraó, sua fuga para o deserto, a travessia do Mar Vermelho, a jornada para o Monte Sinai e a aliança com Deus.

De repente, agora, nos deparamos com um tipo diferente: um código jurídico que cobre uma variedade de tópicos, que vai da responsabilidade por danos à proteção da propriedade, as leis da justiça, ao Shabat e as festas. 

Porque aqui? Por que não continuar a história, nos levando ao próximo drama, o pecado do bezerro de ouro? Por que interromper o fluxo? E o que isso tem a ver com liderança?

A resposta é a seguinte: grandes líderes, sejam CEOs ou simplesmente pais, têm a capacidade de contagiar os outros com uma grande visão cheia de detalhes altamente específicos.

Sem a visão, os detalhes se tornam simplesmente cansativos. 

Há uma história bem conhecida de três homens empregados cortando blocos de pedra. Quando perguntados sobre o que eles estão fazendo, um diz: “Cortando pedra”, o segundo diz: “Ganhando a vida”, o terceiro diz: “Construindo um palácio”. 

Aqueles que têm uma visão mais ampla se orgulham de seu trabalho e trabalham mais e melhor. Grandes líderes comunicam uma visão.

Mas eles também são meticulosos, perfeccionistas, quando se trata de detalhes. Tomás Edison disse: “O gênio é um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração”. 

É a atenção aos detalhes que separa os grandes artistas, poetas, compositores, cineastas, atletas da mera média. 

Qualquer pessoa que tenha lido a biografia de Steve Jobs sabe que ele tinha uma atenção aos detalhes que beirava o obsessivo. 

Ele insistiu, por exemplo, que todas as lojas da Apple deveriam ter escadas de vidro. Quando lhe disseram que não havia vidro forte o suficiente, ele insistiu que fosse inventado, E passou a deter a patente.

A genialidade da Torá era aplicar esse princípio à sociedade como um todo. Os israelitas haviam passado por uma série de eventos. Não havia nenhum evento similar acontecido antes. Ele sabia, por D’us, que nada disso era acidental. 

Os israelitas experimentaram a escravidão com o propósito de fazê-los apreciar a liberdade. Eles sofreram, para saberem como é estar nas mãos do poder tirânico. 

No Sinai, D’us, por meio de Moisés, havia lhes dado uma missão: tornar-se “um reino de sacerdotes e uma nação santa”, debaixo da soberania de Deus. 

Eles deveriam criar uma sociedade baseada em princípios de justiça, dignidade humana e respeito à vida.

Mas nem os eventos históricos nem os ideais abstratos – nem mesmo os princípios gerais dos Dez Mandamentos – são suficientes para sustentar uma sociedade assim por longo prazo. 

Daí o notável projeto de D’us: a Torá, que deveria traduzir a experiência histórica do povo em legislação detalhada, para que os israelitas vivessem na prática o que aprenderam diariamente. 

Na Parashá de Mishpatim, a visão se torna detalhe e a narrativa se torna lei.

Êxodo 21:2,3  Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça.Se entrou só com o seu corpo, só com o seu corpo sairá; se ele era homem casado, sua mulher sairá com ele.

Nesta lei, a escravidão é transformada de uma condição perpetua para uma circunstância temporária. A escravidão, não pôde ser abolida da noite para o dia. 

Mas essa lei que abre a nossa Parashá é o começo dessa longa jornada.

Êxodo 21:5,6 Mas se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre,Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.

A Torá está ciente de que nem todo escravo quer liberdade. Isso também tem origem na história dos israelita.

Números 11:5  Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos.

Como Rashi ressalta a frase “comíamos de graça” (chinam) não pode ser entendida literalmente. Eles pagaram por isso com seu trabalho e suas vidas. 

A Torá não força as pessoas a serem livres, mas insiste em um ritual de estigmatização. Se um escravo recusar a liberdade, seu mestre “o levará à porta ou ao batente da porta e furará sua orelha com um furador”. Rashi explica:

Por que a orelha foi escolhida para ser perfurada, em vez de outros membros do corpo? Disse o rabino Yochanan ben Zakkai :

Foi o ouvido que ouviu no monte Sinai

O rabino Shimon disse: Por que a porta e o batente é que foram escolhidos? 

D’us, com efeito, disse: “A porta e o batente da porta foram testemunhas no Egito quando eu passei por eles no Egito”.

Um escravo pode permanecer um escravo, mas não sem ser lembrado de que não é isso que D’us deseja para o Seu povo. 

Da mesma forma, a lei diz em  Êxodo 21:20 Se alguém ferir a seu servo, ou a sua serva, com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será castigado;

Um escravo não é mera propriedade. Ele ou ela tem direito à vida.Da mesma forma, a lei do Shabat declara: Êxodo 23:12 Seis dias farás os teus trabalhos, mas ao sétimo dia descansarás; para que descanse o teu boi, e o teu jumento; e para que tome alento o filho da tua escrava, e o estrangeiro.

Um dia a cada sete, os escravos deveriam respirar o ar da liberdade. Todas as três leis prepararam o caminho para a abolição da escravidão, mesmo que demorasse mais de três mil anos.

Existem duas leis que têm a ver com a experiência dos israelitas de ser uma minoria oprimida:

Êxodo 22:21 O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egito.

Êxodo 23:9  Também não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito.

Existem leis que evocam outros aspectos da experiência das pessoas no Egito, comoÊxodo 22:22-24 A nenhuma viúva nem órfão afligireis.Se de algum modo os afligires, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor.E a minha ira se acenderá, e vos matarei à espada; e vossas mulheres ficarão viúvas, e vossos filhos órfãos.

Isso lembra o episódio no início do Êxodo: Êxodo 2:23-25 E aconteceu, depois de muitos dias, que morrendo o rei do Egito, os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e clamaram; e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão.E ouviu Deus o seu gemido, e lembrou-se Deus da sua aliança com Abraão, com Isaque, e com Jacó;E viu Deus os filhos de Israel, e atentou Deus para a sua condição.

Em um famoso artigo escrito na década de 1980, o professor de direito de Yale, Robert Cover, escreveu sobre “Nomos e Narrativa”.

Com isso, ele quis dizer que, sob as leis de qualquer sociedade, há um nomos, isto é, uma visão de uma ordem social ideal que a lei pretende criar. 

Por trás de todos os nomos, há uma história sobre por que este grupo passou a ter essa visão da ordem ideal que procuravam construir.

Os exemplos de Robert são amplamente retirados da Torá, e a verdade é que sua análise não parece uma descrição jurídica e sim uma descrição da própria Torá

A palavra “Torá” é intraduzível porque significa várias coisas diferentes.

Torá significa “lei”. Mas também significa “ensino, instrução, orientação” e geralmente, “direção”. 

É também o nome genérico para os cinco livros, de Gênesis a Deuteronômio, que inclui narrativa e direito.

Em geral, direito e narrativa são dois gêneros literários bem distintos.

A maioria dos livros de direito não contém narrativas, e a maioria das narrativas não contém leis.

Além disso, mesmo que as pessoas na Grã-Bretanha ou na América hoje conheçam a história por trás de uma determinada lei, não há texto canônico que junte os dois. 

Além disso, a maioria das leis é promulgada sem uma declaração do motivo pelo qual elas surgiram, o que elas pretendiam alcançar e que experiência histórica levou à sua promulgação.

Portanto, a Torá é uma combinação única de nomos (direito) e narrativa, direito e história.

As experiências que formaram esta nação e a maneira pela qual procuraram viver sua vida, servem como memoriais das lições que aprenderam ao longo do caminho. 

Reúne visão e detalhes de uma maneira que nunca foi superada.

É assim que devemos liderar se queremos que as pessoas venham conosco, dando o seu melhor.Deve haver uma visão para inspirar, dizendo por que devemos fazer o que nos é pedido. 

Deve haver uma narrativa: foi o que aconteceu, é nossa historia, é quem somos e é por isso que a visão é tão importante para nós. 

Deve haver também a lei, a atenção aos detalhes, que nos permite traduzir a visão em realidade e transformar a dor do passado em bênçãos do futuro. 

Essa combinação extraordinária, encontrada em quase nenhum outro código de lei, é o que dá à Torá seu poder duradouro. 

É um modelo para todos os que buscam levar as pessoas à grandeza.

Na frase de abertura de Mishpatim – “E estas são as leis que porás diante deles” (Êx 21:1 ler Torá) Segundo Rashi:

“E estas são as leis” – Onde quer que se use a palavra “estas”, isso indica uma descontinuidade com o que foi afirmado anteriormente. 

Mas onde quer que use o termo “e estas”, isso indica uma continuidade. Assim como os comandos anteriores foram dados no Sinai, estes também foram dados no Sinai. 

Por que então as leis civis são colocadas juntamente com as leis relativas ao altar? Para nos dizer que o Sinédrio deve estar perto do Templo. 

A Torá declara “que você deve pôr diante deles” como uma mesa totalmente posta com tudo pronto para comer. (Ex 21:1).

Três proposições notáveis ​​estão sendo apresentadas aqui na Torá.

A primeira é que,  aseret hadibrot  הִדַּבְּרוּת  עֲשֶׂרֶת não significam “dez mandamentos”, mas “dez enunciados” ou dez palavras,  são divinos, e o mesmo ocorre com os detalhes. 

Na década de 1960, o arquiteto dinamarquês Arne Jacobson projetou um novo campus universitário em Oxford. 

Não satisfeito apenas com o projeto do prédio, ele passou a projetar os talheres e as louças a serem usados ​​no refeitório e supervisionou o plantio de todos os arbustos no jardim da faculdade. 

Quando perguntado porque? Ele respondeu: “D’us está nos detalhes”.

Essa visão ampla, nunca foi tão convincentemente expressa como no decálogo no Sinai. 

A verdade, porém, é que D’us está nos detalhes: “Assim como os primeiros sinais foram dados no Sinai, estes também foram dados no Sinai”. 

A grandeza da Torá não está simplesmente em sua visão nobre de uma sociedade livre, justa e compassiva, mas na maneira como traz essa visão à terra com uma legislação detalhada. 

A liberdade é mais do que uma ideia abstrata. Deixar um escravo liberto depois de sete anos ou liberta-lo se seu dono o feriu é concreto.

Significa conceder aos escravos descanso e liberdade completa, um dia a cada semana. Essas leis não abolem a escravidão, mas criaram as condições sob as quais as pessoas acabaram aprendendo a aboli-la. 

Não menos importante, a Torá transformou a escravidão de um destino existencial em uma condição temporária. A escravidão não é como você nasceu, mas algo que aconteceu com você por um tempo e um dia você será libertado. 

É isso que essas leis – especialmente a lei do Shabat – alcançam, não apenas na teoria, mas na prática viva. Nisso, como em praticamente todos os outros aspectos D’us está nos detalhes.

O segundo princípio, não menos fundamental, é que o direito civil não é um direito secular. Acredito na separação de poderes, mas não na secularização da lei ou na espiritualização da fé. 

O Sinédrio ou a Suprema Corte deve ser colocado perto do Templo para ensinar que a própria lei deve ser dirigida por uma visão espiritual, inspirada nos ensinamentos do Eterno. 

A maior dessas visões, declarada na porção desta semana, é: Êxodo 23:9  Também não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito.

  וְגֵר, לֹא תִלְחָץ; וְאַתֶּם, יְדַעְתֶּם אֶת-נֶפֶשׁ הַגֵּר–כִּי-גֵרִים הֱיִיתֶם, בְּאֶרֶץ מִצְרָיִם.

And a stranger shalt thou not oppress; for ye know the heart of a stranger, seeing ye were strangers in the land of Egypt.

v’gar, lo til’chatz v’atem, y’da’tem et-nefesh hager— kiy-gariym h’eyiytem, b’eretz mitz’rayim.

תִלְחָץ Til’chatz vem da palavra Lachatz que significa fazer pressão.

גֵרִ , GER vem da palavra GAR que significa HABITAR. E a Torá nos ordena para que aqueles que querem habitar dentro de Israel não sejam pressionados a se tornarem judeus.

Mas concordam em ficar vinculados pelas Sete Leis de Noé, um conjunto de imperativos que, de acordo com o Talmud, foram dados por D’us como um conjunto obrigatório de leis para os “filhos de Noé ” – isto é, toda a humanidade.

Há dois tipos de GER : GER TOSHAV e GER TZEDEK.

O GER TOSHAV é aquele que está vivendo dentro da terra de Israel ou entre o povo judeu.A definição legal é a de que o ger toshav deve aceitar as sete leis de Noach perante um tribunal rabínico de três. 

Esse ger toshav recebe certas proteções e privilégios legais da comunidade, algumas regras são modificadas como as restrições de ter um gentio para trabalhar para um judeu no sábado, são mais rigorosas quando o gentio é um ger toshav .

O rabino Zalman Goldberg da Suprema Corte Rabínica de Israel, rabino-chefe de Israel. Afirma diante da lei, que  “neste momento, embora não aceitemos conceder os privilégios de  ger toshav ,por exemplo, morar na Terra de Israel, no entanto, se ele for apresentado a um tribunal rabínico de no mínimo três membros, de sua própria vontade e aceitar ser um ger toshav, nós o aceitamos. 

GER TZEDEK : De fato, lista quatro possibilidades para os gentios:

Conversão completa ao judaísmo por vontade própria

Defendendo as Sete Mitzvot dos Filhos de Noé,

Ger toshav

Tendo-se circuncidado

Mas se ele se torna um GER TZEDEK ele está totalmente obrigado a lei judaica.

Este  procedimento foi descontinuado desde a cessação da observância do ano do Jubileu e, portanto, não há mais um GER formal tzedek existente hoje.

Ai as pessoas perguntam: Um não judeu deve viver como um judeu? A Torá responde til’chatz não deve pressiona-lo e diz v’atem, y’da’tem et-nefesh hager, y’da’tem significa saber, conhecer e nefesh há-ger significa a alma do estrangeiro, porque vocês foram estrangeiros no Egito.

Se alguém quer se tornar um judeu de coração e obedecer tudo aquilo que a Torá ensina, voce será bem vindo, mas este é um assunto privado, uma reunião particular onde devem participar somente voce e o Espirito Santo de D’us, o Huach há Codesh.

Não aceite pressão de ninguém. Porque quem te pressiona está agindo contra a Torá.Séculos antes, D’us escolheu Abraão para que ensinasse a seus filhos e a sua casa a guardar o caminho do Senhor.

Gênesis 18:19  Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado.

A justiça na Torá decorre da experiência da injustiça que os judeus foram submetidos nas mãos dos egípcios e do desafio dado por D’us de criar uma forma radicalmente diferente de sociedade em Israel.

Isso já é prenunciado no primeiro capítulo da Torá com sua afirmação da dignidade igual e absoluta da pessoa humana como a imagem de D’us. 

É por isso que a sociedade deve basear-se no Estado de direito, administrado de forma imparcial, tratando todos da mesma forma.  Êxodo 23:2,3 Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito.Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.
Certamente, nos níveis espirituais mais altos, D’us é encontrado nas profundezas mais íntimas da alma humana, mas D’us também pode ser encontrado nas praças, no mercado, nos corredores do poder e nos tribunais. 

Não deve haver lacuna, entre o tribunal de justiça (o local de encontro entre homens) e o Templo (um dos locais de encontro com D’us).

O terceiro princípio é a ideia de que o direito não pertence aos advogados, juízes, etc. É herança de todo o povo. A Torá declara ‘que você deve pôr diante deles’ como uma mesa totalmente preparada com tudo pronto para comer.

Desde os primeiros tempos, o judaísmo esperava que todos conhecessem e entendessem a lei. O conhecimento jurídico não é propriedade de uma elite bem guardada. É  “a herança da congregação de Jacó”. Deuteronômio 33:4 Moisés nos deu a lei, como herança da congregação de Jacó.

Já no primeiro século , Josephus  escreveu que “se alguém de nossa nação for questionado sobre nossas leis, ele as repetirá tão prontamente quanto seu próprio nome. 

O resultado de nossa completa educação em nossas leis, desde o início, é que elas estão gravadas em nossas almas. 

Portanto, quebrá-los é raro, e ninguém pode escapar do castigo pela desculpa da ignorância ” (Contra Apion ii, 177-8  Flavius Josephus)

A Torá é basicamente a LEI – não porque não acredite no amor (“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento. Dt 6:5 “, ” Amarás o teu próximo como a ti mesmo!” (Levítico 19,17-18) “), mas porque, sem justiça, nem amor, nem liberdade, nem a própria vida humana pode florescer. 

Só o amor não liberta um escravo de suas correntes.A porção de Mishpatim, com suas regras e regulamentos detalhados, às vezes pode parecer uma decepção diante da grandeza das revelações no Sinai. Não deveria ser. 

A Parshat Yitro contém a visão, mas D’us está nos detalhes. Sem a visão, a lei é cega. Mas sem os detalhes, a visão flutua ao vento. 

Com a visão e os detalhes, a presença do Eterno é trazida à terra, que imagino ser o lugar onde mais precisamos Dele.

Se esta Porção nos diz alguma coisa, é que D’us tem paciência. Ele queria que a escravidão fosse abolida, mas Ele queria que isso fosse feito por seres humanos livres, chegando a ver por si mesmos o mal que é e o mal que faz. 

O D’us da história, sabia que aprenderíamos a lição:  que a liberdade é indivisível. Mas preste atenção: Devemos conceder liberdade aos outros se realmente a buscamos para nós mesmos.